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sábado, 22 de dezembro de 2012

Desassossego



A naturalidade transborda seus apegos:

   
   Embora transcrito num papel desamassado, desarticulado e mal estruturado vem de outrora por entre receios inacabados uma resenha sobre linhas tortas contando amarguras o arrojado. Saindo no meio as pressas o acomodado que se diz inundado de paixões, emerge-se a mim perante emoções o terminado que já não convém tentar reescrever parcelas do passado, isento de parábolas da qual sustentam o caso, disfarço quando presente te usando como roupa indecente me solidifica os dias de sol, refaz o momento enquanto eu desatento mantenho a minha mão perspicaz em suas curvas, contemplando sozinho teu calor expresso por entre teus seios resplandecentes a ressaltar em horizontal, esbaldando e tendo por fim suas pernas que parecem me seviciar.
       No acabamento dos nossos deslizes a embaraçar a fragrância sobre a tua pele reluz tomando de inicio o reflexo do ilustre a partir da vossa inquietação mais intima, revivo a cada gota de prazer a percorrer teu corpo nu continuamente bailando por de baixo do cobertor que na tentativa de tentar lhe esconder apenas me excita afogando-nos em frenesi. Distante do despeito sobre algo, vejo com clareza as conseqüências do nosso apego abeirando a noite em pequenos ângulos que nos resumia apenas em caricias refletindo no agora da qual lhe ponho contra a janela demonstrando indiretamente aquele orgasmo, expelia palavras boas de ouvir embaçando a vidraça, revelando conforme a brisa, a marca almejante.
        Denegrido, me restara somente à culpa da tua satisfação, encorajado a me expressar dando continuação aquela vírgula indecisa e de trechos desarranjados, teria você de se identificar com penhor após lhe recitar cláusulas sobre nossas imprecisões românticas? Comumente eu levaria uma bebida à boca, contudo saber que você está enfastiada após sussurros e agora em sono profundo, cantarolando acalma a minha alma, embebeda-te em minhas visões, tragando-lhe o perfume e a relevância as belas canções que perfura a noite a madrugar fronte a luz colorida do Motel que escolhemos sem pensar.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Retrato de um Blues a dois





      
      Má conduta essa minha quando me mantinha a te olhar com o seu curvex e enquanto isso você nem ao menos figurava a minha presença, traços da minha imagem contorcida pela luz rasa da nossa indecência, sem somar eu ainda apaixonado, entorpecido tentando seguir a música junto aos teus passos dentre os meus enviesados. A cada intervalo de uma respiração a percussão do instrumento sincronizava junto ao vosso coração, talvez eu soubesse a Fórmula, todavia eu me perfilaria de enredo quando tão perto de sentir toda a sua forma.
       Não sei quando ela mente, aliás, nem ao menos omito, me entrego com as minhas sinceras conquistas facilmente, tendo por sua vez apenas olhos fechados e cílios destacados, imaginando com um sorriso entre aberto coisas que... Sabe lá, pensamentos onde eu queria está olhando do interior de uma casa sem teto. O ritmo retarda, emerge-se um ar de intimidade sob o “Ain't Got Nothin' But the Blues” sem palavras, quando uma nota do saxofone entoa onde se propaga vagarosa, vejo-me ali sentindo um apego maior de sua mão frenética apertando forte meu ombro que logo embasa.
        Voltamos a embalar suavemente suspeitando o retoque da bebida, eu segurava uma taça de tequila e ela acabara de marcar o cigarro com o seu batom vermelho em um trago pulcro, fui persuadido a levar um gole, senti-o descendo pela minha gorja, eu estava culto. Longe de tudo eu tirava o seu pó brozant com o meu próprio rosto, fluía algo da minha boca para perto do seu ouvido.
 - O que quero de te, faz um diferencial um tanto duvidoso.
         Após um sussurro, sua respiração ofegante, sua matéria delineada se enquadram explicitamente ao meu desejo atraente como um diamante. Aqui há um compasso continuo escondido no subconsciente da qual finjo saber, apenas não interessa! O tempo aquece e não tenho mais consciência de nada. Vais a um padrão amoroso e inadequado, seu jeito sensual e solene me recorda que ela é minha e o Blues que a pouco começou, cabe a ambos, ao toque de sua boca contradizendo o sentido de que já não sei, mas quem eu sou.

domingo, 19 de agosto de 2012

Uma noite de Boemia



Quando tudo começa com uma idéia de tentar se manter longe do acaso, fora do descaso e distante do agrado de uma velha bebida já na pós ressaca de uma sexta desvairada, isso apenas contrai a tese de que sou seu penhor e que estaremos juntos aos cantos da cidade quando a noite, (rimos ao nos olhar). Ainda quando a memória consciente está, vogamos sobre uma ilusão de nos calar sedo, principio! Seria somente uma ilusão para que nos déssemos conta da nossa ação prazerosa em driblar a segurança para poder adentrar com a nossa velha companheira que nos persuadi a procurar copos na lixeira e como se não bastasse convictos atrás da escuridão no fim do salão para enfim degustá-la.
O seu toque já meneia de forma peculiar como a passarela que a pouco passara, não foi descortês, embora tenhamos sido seguidos por câmeras curiosas. Começamos a visitar o toalete masculino com mais frequência sempre a perfurar a fila para o feminino com suas carnes excitantes enquanto isso a noite demarca e aquece, nos perdemos a procurar por garotas, destilamos nosso bel-prazer pela cidade na busca do jovial a fins dos amigos para o nosso bando aos gritos como quem te ama vindo com saltos para qual te imerge em anseios rasos, traduzindo-nos de certa forma em delírio das luzes ofuscando nossa aptidão que não assola a mais recente marca do vinho roubado na roupa amarrotada, as borradas de batom pelos beijos ofegantes e palavrões desbocados.
Discorremos e chegamos ao raciocínio como o vento que passou e nos asilou; Tanta gente que nos faz dilatar a pele, olhos e razões enviesados como o carro mal estacionado junto aos cacos de uma outra ocasião. “Não sei não”, mas algo em ti me lembra o requinte de um tal apego misterioso ao trago de um cigarro que me aquece após o gole da bebida. É tarde e apenas sabemos sorrir e falar o que parece não fazer sentido para terceiros quando apenas temos a compreender o senso comum com aquelas palavras disciplinadas e mal empregadas, é por esse pretexto que estamos aqui caídos no asfalto sorrindo novamente, gozando sobre a mesmice e perturbando os senhores e senhoras dessa sociedade sem preciso for pôr adjetivo.
Sem ciência de como chegar em casa com a memória e sentidos permutados, a madrugada nos abrevia em simples amores, modestos temores ao fim que nos viola além do tempo que persiste em apenas nos pôr para dormir e embalar no seu profundo sub consciente de que estamos a deriva de qualquer forro se jogando em qualquer lugar com ou sem alguém no mesmo ou no pior estado. Até que o amante das noites nos acata tendo em seu livro mais uma página e em nossa memória arranhada, rabiscos no que é o tudo das noites eventuais um amigo e uma velha bebida que de principio é unicamente uma idéia findando ininterruptamente numa ocasião.

domingo, 27 de maio de 2012

Projeções de um Pensar




     Hoje acordei um pouco mais cedo do que de costume, sem conseguir dormir ou apenas me manter deitado com o falatório que vinha na direção da sala, as vozes me pareciam familiar e árduo.
    Da mesma forma em que percebi com que pé pus primeiro no Tapete bordado a mão, também notei que em minha própria casa as vozes se tornavam mais altas, continuas, com um ar de competição, agudas quando não ineterruptas graves e em distorção.
       Após Instantes... Um ponto pôs fim, dentre esse meio não me obtivera dúvida quanto a algumas palavras que me vinheram junto a brisa que entrava pela janela na noite anterior "Os meus pensamentos não pertencem a essa minha vida".

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Despedida



        E é no parar para escutar o silêncio da noite que percebemos o que se esconde durante o dia, dilatando as minhas meras palavras para contigo, de amor e sabedoria, vindo amar, beijar-te. Quando contornar o teu afeto que um dia sentiu, induzirá num golpe amargo o meu gentil lagrimejar, justo na hora em que a minha partida surgir e por mais alguns instantes eu durar perto a ti, vai estiar minha tristeza, tendo que acabar as lascas frias agonizando com ar de franqueza. Como cada célebre era vosso belo olhar, es que há de concretizar em meu hediondo lar vazio, onde de lá, talvez na sacada ou ao subir pela escada pintada de marfim, terás a forma de uma peliça as minhas recordações que pelo visto serão mais esbranquiçadas, fincadas em você quando passava penteando lentamente a minha vista com o teu desfilar, viverei ainda os vestígios de nossas emoções ou apenas as cores de seus botões.
       Não consigo conter a dor de te perder, sabes o que sinto e entende o tormento de nos distanciarmos, ainda que eu escute você comentar sobre a liberdade posteriormente, retraindo a decência de nosso recinto, concorda sutilmente em calarmos.
     Poderá ter se trancado sozinho o nosso caso, entretanto gritou por várias noites o movido romance por encanto que foi, por engano, pois mesmo me torcendo por você fora do essencial, estancarei as tuas argumentações por depois de um ultimo beijo, por antes de um torneável desejo, lhe deixando somente a fumaça ao vento agora ao partir dizendo adeus a teu arrependimento.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Teu amor diante a minha vida



        Deu tudo errado! Pensei que fosse a minha querida primavera, dormi no inverno, idealizei-me sobre o outono e acordei no verão, se a ordem não se julga, relatei-me por mais quatro estações até me rever no que era o certo das noites erradas. Sepultei o silêncio mantido em minha garganta nos meus encontros, resultando a mim librar tendo elas a mim matar, antes de tudo virá apenas um conto, mas não convêm, não me acabara apaixonado, vivido fora da morte um homem inviável em tua doce refeição.
         Por inúmeras noites que de principio emanava de uma saudação, poderia prever seus lábios vermelhos tocando os meus por transparente era teu amor arcando um ar de sedução, como outras talvez, em outrora invés daquele segundo abraço que não se iguala nem ao curto rastro dos seus pés, desgastados e esmorecidos de tanto bailar diante a minha emoção morrendo e acrescentando mais uma noite de amor sem definição.
          Voraz da minha ilusão, tu me traga como a peste dos sete mares, me engole como faz o dia pela noite, santa visão que não a necessito quando nós dois tomados a viajar no canto de um quarto escuro, palpando o escutar da chuva que se mistura também lá a devorar em questão, tendo a ti, não tenho resposta, de ante mão a perguntar pra quê saber, se já vale de mim beber sob teu prazer e o resto de nada me importa.
          Me entrega pela manhã o teu esnobe cheio de manha se tornando menina sensatez, me abraçando tuas perigosas ideias junto ao teu corpo nu, denegrindo minhas palavras, infligindo minhas leis que invés de lhe apaziguar, nos teus seios me sustento a sonhar. Agora o errado das noites certas eu me encontrava, deixando fluir o que eu sinto e você a desmentir o seu convencional, pelo bem que me sentes, sei que o teu coração por mim arde, ainda que a verdade não seja límpida e fingida uma outra estação em que vivemos num romance por toda nossa vida.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Dia pós dia

     
    Suspeitosamente, me trincou o olhar, dando gargalhadas em outrora, fingindo ser uma rosa decente. Embora fostes tu a velar a verdade, pelas diagonais da vida iludi-me ao selar a mentira sem piedade.

       Costurou os pontos dos meus dias referente aos seus traços contornados pela noite, o quanto sorriu pra mim que já até descontrolava os meus passos por somente hoje, por exatamente uma alvorada que arde sempre em que se atrasa. Ainda que eu volte a soltar palavras, serei um ladrão de sonhos se você não chegar até o sol adormecer, você irá ver ou rever se aquela tua boca não tivera desejado e inquietado sorrindo ao me ver chegar no momento encaixado um dia antes deu ir embora sem a demora da minha respectiva volta.

       Ah! Por favor, sabes que o chá esfriava enquanto tu adormecia, frequentava-me a magia ao te usurpar em imagem até o acordar com os cânticos vindo da sala, indo e voltando sem afirmar os pés na tua valsa, pois creio! Uma vez que entoaste o meu nome com o seu tom de voz eloquente me fazendo delirar, a me faltar o ar, mas na verdade o que há com essas minhas agonias que mais carece do teu amor nesses últimos dias.
        E eu, serei dessa forma a te esperar novamente pensando no que fazer quando resplandecer o dia, o que fazer quando a noite ofuscar, diante amores e horrores, sufocará a saudade ao bailar da nossa madrugada vadia.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Inocência




O meu lar é real, nada de fadas, magia ou rapunzel 
eu quero calçar a sociologia e com ela ver que o sol não foi pincelado com rajadas de mel

Nuvens de algodão doce a desmanchar no correr dos rios de chocolate
o porque daquela prostituta da esquina 13 que nunca lambuzou-se mesmo sendo tarde

Sem demagogia, sei que já tenho olhos para enxergar com veracidade
novelas censuradas, danças obscenas e propagandas sexuais a caminho da cidade

Pressuponho a arquejar novamente como alvo da mídia
desfilarás e cegarás com flashes ao te paralisar posar sem as aulas de filosofia

Do que vão se valer das minhas juras ao pôr a minha mão sobre o coração pela pátria amada
enquanto dentro arde diante poucos tendo que marchar junto a politica desfalcada

Calaram a boca quando cair a segurança de que nada me adianta
suplicarei para servir de escudo a minha maldita confiança

Não me doarei como exemplo de uma vida abundante aos cortes de jornais
minunciosamente esquartejarei o meu silêncio ainda que os dias sejam normais

Pensará alguém que vivereis a me alienar, estou errado? Então me mostre o certo
o cigarro não será mais uma estupida desculpa de que sinto frio no inverno

sábado, 21 de janeiro de 2012

Romances





     Nos Romances a clareira, em cada despedida, você sorriu pra mim no final do carnaval, pensei que o presente não fosse ao meu encontro. Deixa o vento mexer em meu cabelo, deixa eu sentir teu cheiro que seguirei você por onde caminhar.

     Se tiver carinho eu sonho, se tiver jeitinho eu canto nos cantos da cidade, ah lá lá lá laa... Eu vou te encontrar. Abrirei a janela para o sol entrar e quando eu deitar, o meu lado não estará mas vazio, me aquecerá no lugar da bebida, minha paixão.
 
     Ao amanhecer, a saudade me beijará e conhecerei suas manias ao me abraçar em verdade, e não mas me terá, já não me acordará com desejos de me tocar. Me recordarei desses momentos quando um alguém sorrir em seu lugar, me apaixonarei sentado a clareira em cada despedida.

Cala-te





    
        Dizinham-me que devo me casar. Casastes, caso não nunca casará. Casamento é casa feita, é vossa casa casada.
      Cada casal não entende seus casos, se retorcem tentando concertar as calhas da casa e vivem se casando, casa tu casa eu e não se expõem ao pensar em se casar.
       Se caso casar, lembra-te diante o altar das calhas da casa que de principio foi bem feita e que já não é mas pintada, não sendo mas um casarão.
      Sei que está aqui uma questão, e se cada casal não casassem? Ainda casaram-se as flores? Casariam-se as dores?
“Casar-te-ei contigo e vivereis em um só par.”
Cala-te!
       Eu sou só uma mera testemunha presenciando um casal prestes a se casar, mas caso não se case, por vir ainda casaram-se as flores.